A
“onda” contra Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na Câmara levou o apoio à sua
cassação a redutos em que ainda era considerado forte, como em seu próprio
partido, inclusive no Rio de Janeiro, e no centrão. Dos 18 deputados que nesta
sexta-feira declararam voto pela perda do mandato na enquete do GLOBO, nove são
do centrão e cinco do PMDB. Até ontem, já eram 297 os parlamentares que
prometiam votar pela cassação, 40 a mais do que os 257 necessários.
Nos
principais partidos do centrão (PP, PR, PSD, PRB e PTB), 68 dos 164 deputados
já abandonaram Cunha. No PSD, inclusive, a maioria da bancada de 35
parlamentares se posicionou desta forma. No PMDB, 20 dos 66 deputados
declararam voto contra Cunha. Destes, quatro são do Rio, 40% da bancada. Cunha,
aliás, já vê a maioria dos seus colegas fluminenses defenderem sua cassação:
são 23 dos 45 votos do estado.
Um
líder da base governista resume o sentimento de vários parlamentares. Diz ser
constrangedor ter que votar contra Cunha, mas classifica como “inevitável”.
—
Todo mundo fica triste, constrangido. A gente sabe que ele prestou um serviço
no impeachment (da ex-presidente Dilma Rousseff), mas, sinto muito, não dá para
conviver com isso — afirmou o líder.
Uma
amostra de como há mobilização pela cassação foi dada pelo deputado Sérgio
Zveiter (PMDB-RJ). Ele está licenciado do mandato para comandar a Secretaria de
Habitação e Cidadania do Rio, mas comunicou que reassumirá na próxima
segunda-feira para votar a favor da cassação. Ele ressaltou ter combinado com o
prefeito Eduardo Paes que voltaria à Câmara pontualmente para votar em questões
que considera fundamentais para o país e, para ele, essa é uma delas.
—
Inobstante eu não tenha participado das votações no Conselho de Ética e na CCJ,
acompanhei todas as sessões e me convenci no sentido de votar pela cassação.
Estarei presente na sessão de segunda. Eu me exonerei para votar no
impeachment, na eleição do Rodrigo Maia e faço agora— – justificou Zveiter.
O
candidato a prefeito pelo PMDB, deputado Pedro Paulo, também anunciou que
reassumirá o mandato para votar pela cassação de Cunha. Peemedebistas do Rio
afirmam que desde que Cunha tentou tirar o hoje ministro do Esporte, Leonardo
Picciani (RJ), da liderança do partido a maioria da bancada se afastou dele.
Entre os fluminenses, Washington Reis e Fernando Jordão seriam os que ainda têm
proximidade com o ex-presidente da Casa. Reis votou contra a cassação de Cunha
no Conselho de Ética e não se posicionou agora. Jordão admite que pode se
ausentar, o que ajudaria o ex-presidente.
—
Aqui no Rio, onde teria os principais amigos, é emblemática a perda de apoio —
afirmou um deputado fluminense.
Mesmo
a estratégia de Cunha de tentar a esvaziar a sessão tende a fracassar. O líder
do PSD, Rogério Rosso (DF), afirmou que sua bancada está liberada para votar de
acordo com sua consciência, mas acredita que a maioria estará presente.
—
Historicamente a bancada do PSD é uma das mais assíduas e não deve ser
diferente na segunda — disse Rosso.
Cunha
continua tentando convencer os deputados que não merece ser cassado. Além de
cartas, reforça o pedido por meio de mensagens e, para alguns, chega a telefonar.
Nas mensagens, contam deputados, o tom não é de intimidação, mas apelativo.
Pede que considerem os argumentos da defesa com isenção, diz que não mentiu à
CPI, e apela para evitar que uma “injustiça” seja cometida contra ele, acabando
com sua carreira política e destruindo sua família.
Para
os deputados, sem sucesso em evitar o quorum, Cunha tentará adiar a votação,
com recursos ao plenário, para depois das eleições. A avaliação da maioria,
porém, é que dificilmente será possiver adiar mais uma vez essa decisão.

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