A lua é uma companheira ambígua no
espaço, pois ao mesmo tempo que ilumina nossas noites, ela estraga nossa visão
das estrelas. Mas agora, novas medidas feitas de rochas captadas durante o
programa Apollo sugerem que a relação entre a lua e a Terra é muito mais selvagem do que imaginávamos.
Um
novo estudo publicado na Nature diz
que a lua foi formada como resultado de um colisão espacial violenta muito
antes do que acreditávamos que isso tinha ocorrido. Desde a década de 70,
muitos pesquisadores endossavam uma teoria na qual a lua foi criada de
destroços resultantes de uma colisão de baixo impacto de um corpo do tamanho de
Marte que “raspou” na Terra. Em vez disso, os pesquisadores
disseram que novas evidências mostram que o impacto foi mais “como uma marreta
atingindo uma melancia.”
A
antiga teoria sobre a origem da lua — que dizia que ela foi formada de restos
de uma leve colisão — simplesmente explica o tamanho da lua e sua posição de
órbita. No entanto, um teste em algumas das pedras lunares da missão Apollo
revelaram algo estranho que esta teoria não dá conta de explicar.
“Nós ainda estamos medindo novamente as
amostras coletadas pelo programa Apollo na década de 70, pois a tecnologia se
desenvolveu bastante nos últimos anos. Nós podemos avaliar diferenças muito
pequenas entre a Terra e a lua, então nós encontramos uma série de coisas que
não vimos na década de 70”, disse Kun
Wang, que é professor assistente da Washington
University e um dos autores do estudo, ao Gizmodo. “Os modelos antigos
simplesmente não conseguem explicar as novas observações.”
Se
a teoria de quatro décadas atrás estivesse correta, então os pesquisadores
constatariam que mais da metade do material lunar encontrado veio do corpo do
tamanho de Marte que raspou pela Terra para formar a lua. Os
pesquisadores, no entanto, não acharam esse tipo de material. Em vez disso,
análises químicas nas amostras mostraram compostos isotópicos que eram
praticamente idênticos.
Eles
começaram a fazer uma série de testes avançados para tentar observar quaisquer
diferenças nas assinaturas de isótopo. Eles finalmente acharam uma — mas que
sugerem que as origens das amostras são ainda mais fortemente conectadas do que
esperávamos.
As
assinaturas de isótopo eram as mesmas, exceto por um com alta concentração de
potássio das amostras lunares que requereriam altíssimas temperaturas para
serem separadas. Uma colisão violenta entre a Terra e esse corpo do tamanho de Marte poderia ter causado esta temperatura incrivelmente alta.
Neste modelo, as temperaturas foram tão altas e a força tão poderosa que o
corpo e uma grande parte da Terra
acabou sendo vaporizada com o contato. O vapor então se expandiu em uma área
500 vezes maior que a Terra antes de
finalmente esfriar e se condensar na lua.
“Nós precisaríamos de um impacto muito maior
para formar a lua, segundo nosso estudo”, explicou Wang. “O impacto gigante por si deveria ser chamado
de impacto extremamente gigante. A quantidade de energia necessária não é nem
próxima [da que imaginávamos]”.
Estes
novos dados não mudam nossa concepção de como a lua foi formada. Eles apenas
sugerem que um sistema solar inicial era muito mais volátil do que nós
conhecíamos — e isso pode ser o início do que essas novas análises de amostras
lunares podem nos ensinar.
“Tudo o que sabemos sobre o início do sistema
solar vem de nosso estudo de amostras lunares e de meteoritos”, afirmou
Wang. “Isso mudou nosso entendimento de
como era o sistema solar, e parece que ele era muito mais violento do que
pensávamos.”
Os
pesquisadores continuarão a estudar as amostras coletadas pelo programa Apollo
e vão tentar achar mais pistas escondidas nelas. Até agora, eles suspeitam que
estas amostras que estão guardadas há décadas poderiam ter mais segredos para
revelar.

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