Se
aprovado como ministro do STF, indicado de Temer pode vir a revisar eventuais
processos contra o presidente, citado em delações. Casos anteriores demonstram
possível impacto de revisor sobre decisões da corte.Caso tudo corra como o
planejado pelo governo Michel Temer, o ex-ministro da Justiça Alexandre de
Moraes deve ser aprovado como novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)
nesta semana. Dezenas de senadores já declararam publicamente que vão
referendar a escolha na quarta-feira (22/02), um número suficiente para
garantir a aprovação.
Com
uma cadeira no Supremo, Moraes teria influência em questões cruciais para o
Planalto e para a população. No entanto, é o seu comportamento em relação à
tramitação da Lava Jato no tribunal que deve monopolizar as atenções,
considerando que ele é um ex-membro de um governo sacudido por denúncias de
corrupção e foi filiado ao PSDB – partido com membros citados na operação.
Moraes
não deve somente ter o poder de influenciar eventuais ações penais da Lava Jato
no STF com seu voto: devido ao regimento interno do STF, ele deve ocupar a
posição de revisor de processos da operação analisados no plenário da corte.
O
artigo 24 do regimento interno do STF afirma que “será revisor o ministro que
se seguir ao relator na ordem decrescente de antiguidade”. Como o relator da
Lava Jato, o ministro Edson Fachin, foi o último ministro a ingressar no STF, o
novo membro (possivelmente Moraes) deve automaticamente se tornar o revisor no
pleno.
Assim,
Moraes seria responsável pela revisão de processos que eventualmente envolvam
os presidentes da República (que o indicou para o cargo), do Senado e da Câmara
– que são analisados exclusivamente pelo pleno do STF. No momento, não há
investigações e processos contra Temer, mas ele foi citado uma série de vezes
em delações.
Como
deverá fazer parte da Primeira Turma do STF, Moraes não vai ser o revisor da
maioria dos processos da Lava Jato que correm na Segunda Turma de Fachin e que
envolvem, por exemplo, senadores e deputados.
Na
Segunda Turma, o papel de revisor deve caber a seu decano, Celso de Mello.
Somente eventuais recursos de condenações proferidas por essa turma devem
acabar sendo levados ao pleno, mas neste caso o papel de revisor deve continuar
nas mãos de Mello. Moraes só vai poder influenciar essas decisões com seu voto,
assim como a maioria dos 11 ministros.

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