Um
ministro do Supremo Tribunal Federal
brasileiro apelou na sexta-feira (10) pela legalização da maconha e até mesmo
da cocaína, para reduzir o crescente poder das quadrilhas responsáveis por uma
onda de violência que abalou o maior país da América Latina.
O
ministro Luís Roberto Barroso, formado
pela Universidade Yale e professor
de direito constitucional, disse que os 50 anos de guerra contra as drogas
representam um terrível fracasso, lotando as prisões do país de pequenos
traficantes e alimentando uma violenta batalha entre quadrilhas pelo controle
do lucrativo comércio de drogas.
“Ao contrário dos Estados Unidos e da Europa, onde o problema está
no impacto das drogas sobre os consumidores, no Brasil o problema está no poder
que os traficantes de drogas exercem sobre as comunidades pobres”,
disse Barroso à Reuters no moderno edifício sede do tribunal, em Brasília.
“Posso garantir que é só questão de tempo. Ou legalizamos a maconha
agora ou no futuro, depois de termos gasto bilhões e encarcerado milhares de
pessoas”, ele afirmou.
O
raro apelo vindo de um juiz de alta instância em um país profundamente
conservador reflete o crescente medo de violência que varre as prisões
superlotadas e as favelas das grandes cidades brasileiras.
Um
massacre em uma penitenciária de Manaus, no dia do Ano-Novo, no qual detentos
membros de uma gangue decapitaram dezenas de rivais, causou tumultos nos
presídios de todo o país.
Esta
semana, uma greve de policiais no Estado do Espírito Santo, na região Sudeste,
deflagrou um frenesi de crimes que resultou em mais de 120 mortes –muitas das
quais envolvendo pessoas ligadas a quadrilhas de criminosos, segundo sindicatos
policiais.
Regulamentar
a produção, venda e consumo de maconha, como já acontece no Uruguai, um pequeno
país vizinho ao Brasil, pode ser o primeiro passo para conter o crime em um dos
mais perigosos países do planeta, disse Barroso.
“Se isso funcionar, podemos avançar facilmente para a legalização da
cocaína”, disse Barroso, que quando advogava trabalhou pela
legalização da pesquisa com células-tronco e na defesa dos direitos dos gays. “Se você quer derrubar o poder dos traficantes, é preciso considerar
a possibilidade de legalizar a cocaína”.
Em
2013, o Uruguai se tornou o primeiro país do mundo a legalizar a maconha.
Poucos países descriminalizaram a posse de cocaína, e os especialistas divergem
quanto a que método seria possível adotar para legalizar uma das drogas ilegais
mais viciantes do planeta.

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