O
papa Francisco visitou nesta
sexta-feira pela primeira vez uma universidade pública de Roma e recomendou aos
estudantes que dialoguem sem computadores e com o coração, porque “o diálogo é o antídoto para a violência”.
Diante
de cerca de 40.000 alunos da Universidade
pública Roma Tre, especializada em carreiras de humanas, o papa insistiu no
valor do “diálogo”, de “aprender a escutar” e de se abrir para
os outros.
“Quando não há diálogo em casa, quando em vez
de falar se grita ou quando estamos à mesa e, em vez de falar, usamos os
telefones celulares, é o início da guerra, porque não há diálogo”, afirmou
Francisco no pátio externo da instituição.
“Na universidade se deve exercer o trabalho
artesanal do diálogo”, acrescentou.
“O maior remédio contra a violência é o
coração, que, antes de discutir, dialoga”, apontou. “O diálogo aproxima as pessoas e os corações”.
Francisco,
elogiado pelo reitor da universidade pela sua defesa dos mais pobres, foi bem
recebido tanto pelos alunos como pelos professores.
“O erro é pensar que a globalização é como um
balão ou uma esfera, onde não há diferenças, tudo é uniforme. A uniformidade é
a destruição da unidade, porque te tira a capacidade de ser diferente”,
explicou, ao abordar um dos cavalos de batalha do seu pontificado.
“Por isso, gosto de dizer que há uma
globalização poliédrica. Uma unidade, mas conservando as identidades próprias”,
afirmou.
O
papa também respondeu perguntas de universitários, entre elas uma sobre o futuro
das novas gerações.
“Como podemos pensar que países desenvolvidos
tenham um desemprego juvenil tão forte? Há países na Europa com um desemprego
juvenil de 40%; em outros, 50%, e outros quase chegam a 60%. Isto acaba com a
cultura do trabalho”, comentou.
“O drama atual é o de uma economia líquida
que produz desemprego”, disse.
A
visita de Francisco, que foi aplaudido várias vezes, contrastou com a
programada por Bento XVI em 2008 à
Universidade La Sapienza de Roma, que teve que ser cancelada pelos protestos de
estudantes e professores contra a posição da Igreja sobre a ciência.

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