A
agência espacial norte-americana, Nasa,
anunciou nesta quarta-feira (23) a descoberta de um sistema solar com sete
planetas de tamanhos semelhantes ao da Terra.
Informações preliminares apontam que o sistema está localizado em zona habitável,
apresenta condições climáticas adequadas, estruturas rochosas e a possibilidade
de conservar água em estado líquido em sua superfície. Os resultados foram
divulgados em entrevista coletiva na sede da agência, em Washington, e
publicados na revista Nature. A
descoberta estabelece um novo recorde no número de planetas, em zonas
habitáveis, encontrados em torno de uma única estrela fora do nosso sistema
solar.
O
sistema de planetas batizado de Trappist-1
está localizado a cerca de 40 anos-luz (378 trilhões de quilômetros) da Terra,
na Constelação de Aquário. Por
estarem fora do nosso sistema solar, são conhecidos cientificamente como
exoplanetas. De acordo a Nasa, a revelação pode ser uma peça importante no
quebra-cabeças da busca por lugares habitáveis no universo.
“Nós temos descoberto muitos exoplanetas, que
são planetas em outros sistemas solares, e a grande novidade dessa descoberta é
que são planetas do tamanho da Terra, que estão orbitando uma estrela a 40 anos
luz daqui. Pode ser que tenha água nesses planetas, e, se tiverem, sendo do
tamanho da Terra, pode ser que sejam habitáveis, mas ainda há muito o que
descobrir”, disse Rosaly Lopes,
cientista no Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa e gerente de Ciência
Planetária, em Pasadena, Califórnia.
Estrela ultrafria
Os
dados da descoberta foram coletados com o telescópio infravermelho Spitzer. A
equipe da agência espacial norte-americana mediu os tamanhos dos sete planetas
e desenvolveu as primeiras estimativas das massas de seis deles. Em contraste
ao Sol, a estrela Trappist-1 foi classificada como ultrafria. Os planetas estão
próximos uns aos outros e poderiam ser vistos a olho nu de seus vizinhos.
Segundo a Nasa, poderiam parecer maiores do que a lua no céu da Terra.
Os
estudos apontaram que o mesmo lado dos planetas estão sempre voltados para a
estrela, causando dias ou noites permanentes. Isso significa que os planetas
têm padrões de tempo completamente diferentes da Terra, como fortes ventos
soprando do dia para noite e mudanças extremas de temperatura.
Segundo
a Nasa, os primeiros indícios de existência dos exoplanetas foram detectados em
maio de 2016, pelo telescópio espacial Hubble. Os estudos sobre o novo sistema
planetário serão reforçados com o lançamento do novo telescópio espacial James
Webb, previsto para ocorrer em 2018. Com sensibilidade muito maior, o Webb
poderá detectar informações químicas de água, metano, oxigênio, ozônio e outros
componentes da atmosfera dos planetas. O novo telescópio também analisará as
temperaturas dos globos e as pressões de sua superfície, fatores-chave na
avaliação de sua capacidade de habitação.

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