Politicamente
em frangalhos e distante dos princípios que nortearam sua fundação em 1980, o PT agoniza. Mas não é só pela falta de
credibilidade que a segunda maior legenda do País corre o risco de sumir do
mapa. Na semana passada, o presidente do TSE,
ministro Gilmar Mendes, determinou
abertura de processo pedindo a cassação do registro do PT. Segundo Gilmar, há indícios de que o partido foi indiretamente
financiado pela Petrobras, que é uma
sociedade de economia mista, o que é proibido pela legislação eleitoral. As
doações ocorreram por meio de empresas que receberam recursos da estatal com
contratos fraudulentos. Os indicativos foram obtidos a partir do cruzamento das
informações em documentos judiciais da Lava
Jato. Além da implicação criminal, o processo pode acelerar a debandada na
legenda.
Somente
em 2014, o partido recebeu R$ 55 milhões de doações de empreiteiras envolvidas
com o esquema de desvios de recursos da estatal. Só a Andrade Gutierrez fez um aporte de R$ 14,6 milhões. Além da
empresa, também doaram à legenda a UTC
(R$10,8 milhões), Queiroz Galvão (R$
10,8 milhões), OAS (R$ 11,4
milhões), a Odebrecht (R$ 4,3
milhões) e a Engevix Engenharia (R$
3,6 milhões). Todas as operações foram registradas no TSE.
Em
seu despacho, Gilmar Mendes disse
que o processo para apurar as doações ilegais para as campanhas do PT chegou a desaparecer do TSE. O primeiro pedido de providência
foi parar nas mãos do então corregedor do TSE,
ministro João Otávio de Noronha, em
21 de agosto de 2015. Em 10 de setembro do mesmo ano, Noronha enviou o ofício
ao ministro Dias Toffoli, presidente
do tribunal na ocasião. Porém, o processo não tramitou mais pela Justiça
Eleitoral. Pior: o ofício número 1.240 assinado por Noronha simplesmente
desapareceu. O conteúdo do despacho só foi recuperado porque Mendes mantinha
uma cópia em seus arquivos informatizados. Ao fazer o levantamento dos
documentos localizados na Presidência, Mendes verificou a ausência de um
desfecho para o processo, o que motivou um novo despacho.
Fraudes desde 2010
Caso
haja uma condenação, o Partido dos
Trabalhadores pode ter o registro cassado, e seus integrantes terão de
procurar outra legenda, caso queiram concorrer às eleições. O processo foi
encaminhado à corregedora-geral eleitoral, Maria
Thereza de Assis Moura. Como a ministra se desligará da Corregedoria do TSE em 2 de setembro, a
ação deve ficar a cargo do Ministro Herman
Benjamin, eleito recentemente corregedor.
Segundo
a apuração contida nos autos do TSE,
as doações feitas à base de contratos mediante fraudes em licitações da Petrobras ocorriam desde 2010. A UTC, Camargo Corrêa, Engevix,
Norberto Odebrecht Brasil e Norberto Odebrecht doaram ao partido,
entre os anos de 2010 e 2014, a soma de R$171.946.000,00.


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