Os
presidentes da Câmara, Rodrigo Maia
(DEM-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), entraram em um acordo com o presidente da República, Michel Temer (PMDB), para evitar que o projeto das Dez Medidas Contra a Corrupção que tramita no Congresso Nacional
resulte em uma anistia ao crime de caixa 2. Neste domingo, os três convocaram
uma entrevista coletiva para fazer o anúncio do que Temer chamou de “ajustamento institucional”.
O
evento foi chamado com o interesse de tirar os holofotes de uma crise política
pela qual passa a gestão peemedebista, e para tentar aumentar sua imagem
positiva. Com uma popularidade inferior a 15%, Temer diz que, agora, resolveu “atender a voz das ruas”, que se
mobilizaram contra o eventual perdão do delito.
Tramitando
em uma comissão especial da Câmara há quatro meses, o projeto de iniciativa
popular elaborado pelo Ministério
Público Federal e apoiado por 2 milhões de pessoas corre o risco de ter um
de seus objetivos desvirtuados. Ao invés de apenas tipificar o caixa 2, que é a
doação oculta e ilícita de campanhas eleitorais, ele anistiaria penas
relacionadas a esse delito, como o de peculato, corrupção e lavagem de
dinheiro. Da forma como foi proposta em uma emenda ao projeto que circulava na
semana passada, a anistia poderia beneficiar parte dos políticos investigados
pela Operação Lava Jato.

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