“O ideal seria, realmente, restringir o foro
privilegiado, limitar a um número menor de autoridades. Quem sabe, os
presidentes dos três Poderes.” A proposta é do juiz federal Sérgio Moro, titular da 13.ª Vara
Federal Criminal de Curitiba, responsável pelos julgamentos da Operação Lava Jato em primeira
instância.
Aos
44 anos, personificação da maior operação contra a corrupção, desvios e cartel
na Petrobrás, ele decidiu dar sua
primeira entrevista como juiz da Lava
Jato, deflagrada em março de 2014.
Na
manhã fria de quinta-feira, Moro recebeu o Estado
às 10h10 em seu gabinete, no fim do corredor do segundo andar do edifício-sede
da Justiça Federal no Bairro Ahú, na capital paranaense. A temperatura era de
12°C, e o céu estava carrancudo. O espaço onde o juiz trabalha é amplo, ornado
por pilhas e pilhas de processos que lhe dão uma aparência caótica. A papelada
se espalha sobre e sob a mesa. Ali, ele se mantém fiel a uma rotina que segue
há 20 anos, desde que ingressou na magistratura e vestiu a toga pela primeira
vez.
Em
uma hora de conversa, Moro apontou problemas na proposta da Lei de Abuso de Autoridade, defendida
pelo presidente do Senado, Renan
Calheiros (PMDB-AL), falou sobre
o escândalo na Petrobrás, alertou
para o “risco à independência da
magistratura” e defendeu o envolvimento do Congresso no combate à corrupção
e a importância de se criminalizar o caixa 2.
Acusado
pelo PT de ser um algoz do partido,
o juiz afirmou que “processo é questão de
prova” e acha “errado tentar medir a
Justiça por essa régua ideológica”. Sobre atuação político-partidária avisa
que não será candidato: “Não existe
jamais esse risco”.

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