O Rio Grande do Norte parece não fugir à
regra quando o assunto são os atritos entre Direitos Humanos e autoridades de segurança pública. Ao procurar o Conselho Estadual de Direitos Humanos e
Cidadania do Rio Grande do Norte, para repercutir a operação que prendeu o vice-presidente
Condep/SP e vários advogados acusados de servir ao crime organizado, descobriu-se
que a entidade está em pé de guerra com o secretário da Justiça e Cidadania do
Estado, Walber Virgulino.
Geraldo Wanderley, líder dos Direitos
Humanos no RN evitou falar sobre a prisão do colega paulista. Em suas
palavras, ele tem “pouca relação com o
pessoal lá de São Paulo”.
Geraldo
aproveitou a mídia para fazer queixas do secretário Walber Virgulino, que afirmou o está impedido de adentrar nas
unidades prisionais potiguares.
“Eu estou proibido de entrar nas prisões do
Estado pelo secretário de Justiça. Ele faz isso, e a Justiça não tá nem aí”,
disse.
Na verdade…
O
secretário Walber Virgulino negou
que Geraldo ou qualquer outro integrante dos Diretos Humanos estejam proibidos de visitar os presídios do RN.
“Eu não conheço nem ele”, afirmou Walber.
Mas, continuou: “Ou foi lá em Caicó ou em
Caraúbas que ele (Geraldo) quis entrar na unidade dizendo que era dos Direitos
Humanos, mas ninguém o conhecia. Ele deveria ter comunicado que faria a visita,
mas quis entrar sem comunicar, e não é assim que funciona”.
Perguntado
se o contato de Geraldo Wanderley
para entrar no presídio deveria ser feito diretamente com o ele, o secretário
disse que, além dessa alternativa, existe outra possibilidade. “Se ele quiser, nem precisa falar comigo.
Basta mandar um ofício para a secretaria”, relatou.
“Eu, como secretário, só preciso saber quem
está entrando no presídio. Preciso que digam a que órgão pertence, a que
pastoral da igreja… Se não for assim, qualquer um vai querer entrar, e presídio
não é casa de mãe Joana”, completou o secretário.
Força quando necessária
Geraldo Wanderley também afirmou que “depois
que o secretário de Justiça assumiu a secretaria, a violência dentro dos
presídios cresceu bastante”. O dirigente dos Direitos Humanos no Estado foi
além e afirmou que “ele (Walber) está
violando bastante os direitos dos presos. Já constatei isso”.
O
secretario demonstra respeito para com a opinião de Geraldo e expõe a sua: “Eu não acho que tenha aumentado a violência.
Digo que melhorou a moralização”. E explica: “Veja só! O agente pede pra um preso sair da cela, e o preso se nega a
fazer isso, desrespeita o agente. O que será preciso fazer? O uso da força, que
defendo quando se faça quando necessário”.
{Direitos Humanos}
O
vice-presidente da entidade em São Paulo, Luiz
Carlos dos Santos, de 43 anos, foi preso com mais duas pessoas e 32
advogados numa operação da Polícia Civil e do Ministério Público. Eles são
acusados de usar os respaldos que possuem para favorecer 14 chefes do Primeiro
Comando da Capital (PCC).
Santos,
o único dos presos que teve o nome revelado, já acumula dez passagens
anteriores pela polícia – oito por estelionato e as outras por violência
doméstica e extorsão. O diretor dos Diretos Humanos no RN reconhece que alguém
com essa ficha não devia ocupar um cargo de tanta importância na entidade, mas
admite que casos assim são comuns no país.
“Bem, essa é uma realidade que acontece
bastante no Brasil. A gente luta para que pessoas que não tenham o perfil certo
não assumam cargos nos direitos humanos. Mas, no Brasil, infelizmente é assim,
a gente vê até ministros com condutas desalinhadas com a ética do serviço
público”, comparou Geraldo Wanderley.
Já
o secretário de Justiça do RN diz reconhecer a importância do trabalho dos
Direitos Humanos e torce para que a entidade seja mais ética e transparente
para evitar novos atritos.
“Eu concordo (com o trabalho dos Direitos
Humanos). Realmente é necessário que se lute contra a violência, que se visite
nossas unidades. Eu só preciso saber quem é que fazer esse trabalho, para que
esta pessoa tenha o acesso permitido”, esclareceu Walber.

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