Prefeito
atrasa salários, não repassa a terceirizadas e prepara calote aos fornecedores;
grave crise financeira eclodiu, mas foi camuflada durante o pleito eleitoral
deste ano de 2016.
Agrava-se
a situação financeira da Prefeitura de
Natal. Aliás, pode já estar grave há muito tempo. Mas ninguém soube. O
Município escondeu a informação, não foi transparente. Muito provavelmente, por
conta da eleição. Essa é a avaliação de setores da administração.
O
prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves,
reuniu a imprensa na semana passada para anunciar medidas restritivas de
despesas. Pode ter chegado tarde demais. Salários de servidores atrasados, não
repasse a terceirizados e calote nos fornecedores formam o quadro atual. Tais
medidas poderiam/deveriam ter sido adotadas bem antes, lá no início do ano. Mas
foram postergadas. Intencionalmente? Crê-se que sim. Afinal, crise não é
assunto bom para prefeito candidato à reeleição.
“O quadro é difícil e a Prefeitura não dá
informações claras da situação. Apenas soltou alguns números, ora falando em
queda, ora déficit, ora frustração”, apontam auditores fiscais do
município.
Há
uma nuvem nebulosa sobre os dados da prefeitura. Não há transparência. Uma
verdadeira “caixa preta”, que se
encontra, não nas receitas, mas nas despesas.
“Em 2015 se encerrou o ano com uma frustração
de R$150 milhões e se pagou os salários dos servidores. A prefeitura deveria
ter previsto essa frustração, fazendo um orçamento menor, esse é o motivo da
crise. Faltou planejamento. Essas medidas tinham que ter sido tomadas no início
de 2016, e não se fazer de conta que não estava acontecendo nada. Eles se
prepararam para um ano que não fosse de crise”, aponta o auditor Marcelo Oliveira.
A
frustração de receitas do município – diferença entre arrecadado e estimado – é
de R$ 124 milhões. Entretanto, o ISS cresceu quase 9% do ano passado para este
– sem inflação – e o ICMS aumentou mais de 6%. “Houve acréscimo. Será que a estimativa foi feita corretamente?”,
aponta.
“O que eles estão chamando de perda de R$ 95
milhões, na realidade, tem o nome técnico de frustração, que é quando se
compara o que você orçou receber, com o que você realmente arrecadou. E esse
número de R$ 95 milhões, não é só de FPM e ICMS, também tem outras coisas, mas
eles só focam nisso, tanto é que o prefeito chama ‘receitas da crise’”.
2015
encerrou com frustração de R$ 150 milhões. O correto seria revisar as receitas
de 2016 para baixo, mas a prefeitura fez o inverso. O fato é que o município
entrou 2016 gastando como se não estivesse em crise. E ano eleitoral, não se
falou nisso. Faltou transparência.
“A decisão foi trabalhar como se nada
estivesse acontecendo, para tentar executar esse orçamento, mesmo sabendo que
isso ia ser praticamente impossível, o que culminou com a crise”, diz
Oliveira.

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