‘PRESIDENTE DE TODOS’
Mesmo
com Hillary Clinton apontada como
favorita em praticamente todas as pesquisas de intenção de voto e nas projeções
feitas por institutos e pela imprensa, Donald
Trump foi eleito o 45º presidente dos Estados
Unidos. Em seu discurso de vitória, prometeu reunir a nação e reconstruir a
infraestrutura do país, dobrando a economia.
"Serei presidente para todos os americanos",
disse. "Trabalhando juntos, vamos
começar a tarefa urgente de reunir nossa nação. É isso que quero fazer agora
por nosso país."
VITÓRIA EM ESTADOS-CHAVE
Trump
conquistou vitórias surpreendentes sobre Hillary em estados-chave para a
definição, abrindo o caminho para a Casa
Branca e abalando os mercados globais que contavam com uma vitória da
democrata.
A
maré começou a virar a favor de Trump após as vitórias na Flórida, Carolina do
Norte, Ohio e Iowa. Ele ainda se tornou o primeiro candidato de seu partido a
ganhar na Pensilvânia desde que George
H. W. Bush o fez em 1988.
Quando
entrou o número de delegados do estado de Wisconsin na conta da agência
Associated Press, Trump alcançou 276 delegados, ultrapassando o limite de 270
necessários para ser o vencedor no Colégio Eleitoral.
Até
as 8h20 (horário de Brasília), Hillary tinha tido 47,48% dos votos; Trump
estava com 47,72%
REPERCUSSÃO
A
vitória de Donald Trump provocou
reações pelo mundo que vão desde o espanto até a euforia de líderes de direita.
Vladimir Putin, presidente da Rússia, enviou em um telegrama ao
presidente eleito dizendo esperar uma melhora nas relações russo-americanas.
Expressou a “esperança de que [seja
realizado] um trabalho mútuo para tirar as relações entre Rússia e Estados
Unidos de sua situação crítica” e “disse
estar certo de que será iniciado um diálogo construtivo entre Moscou e
Washington”.
Jean-Marie Le Pen, dirigente histórico da extrema-direita francesa e
ex-presidente da Frente Nacional, disse "hoje, os Estados Unidos! França, amanhã! Parabéns!”
O
resultado da eleição nos Estados Unidos derrubou os mercados de ações pelo
mundo. A bolsa de valores de Tóquio perdeu mais de 5% e, na Europa, os
principais índices abriram o dia em forte queda. O índice geral da Bolsa de
Valores de Londres, o FTSE-100, por exemplo, abriu em baixa de 2,12%.
AZARÃO
De
temperamento explosivo e sem experiência política anterior, o bilionário
republicano de 70 anos superou todos os prognósticos e se impôs como um forte
adversário.
Começou
a disputa como azarão, concorrendo com diversos outros pré-candidatos
republicanos pela indicação do partido e com muitos analistas duvidando que ele
pudesse alcançar a nomeação.
Com
discursos centrados nas frustrações e inseguranças dos americanos num mundo em
mutação, tornou-se a voz da mudança para milhões deles.
Nascido
em 14 de junho de 1946 no bairro nova-iorquino do Queens, Trump é o quarto dos
cinco filhos de Fred Trump, um
construtor de origem alemã, e Mary
MacLeod, uma dona de casa de procedência escocesa. É casado, pela terceira
vez, com a ex-modelo eslovena Melania
Trump. Tem cinco filhos e seis netos.
CARREIRA
Graduou-se
em 1964 na Academia Militar de Nova York, onde alcançou a patente de capitão e
vislumbrava seu destino: "Um dia,
serei muito famoso", comentou então ao cadete Jeff Ortenau. Formou-se em Economia na Escola Wharton da
Universidade da Pensilvânia e em 1971 assumiu as rédeas da empresa familiar, Elisabeth Trump & Son, dedicada ao
aluguel de imóveis de classe média nos bairros nova-iorquinos de Brooklyn,
Queens e Staten Island.
Optou
por construir torres luxuosas, hotéis, casinos e campos de golfe. Já nos anos
1980, tinha em construção diversos empreendimentos na cidade, incluindo a Trump
tower, o Trump Plaza, além de cassinos em Atlantic City, em Nova Jersey.
Trump
gosta de dizer que começou seus próprios negócios modestamente, com “um pequeno empréstimo de US$ 1 milhão”
de seu pai.
Em
1996, comprou os direitos dos concursos Miss USA, Miss Universo e Miss Teen,
tornando-se seu produtor executivo. Oito anos mais tarde, tornaria-se figura
pública ainda mais conhecida ao virar apresentador do programa “The Apprentice”, em que tinha o poder
de demitir os participantes.
DENÚNCIAS DE ASSÉDIO
A
campanha eleitoral de 2016 foi considerada uma das mais sujas da história, com
acusações e bate bocas entre os dois principais candidatos e na qual mais se
falou de defeitos dos concorrentes do que de propostas para o país.
Uma
das maiores polêmicas envolvendo Trump foram as denúncias de assédio sexual por
mulheres. Algumas relatam que o republicano as beijaram a força, outras dizem
que ele colocou as mãos por baixo de suas saias, para tocá-las.
Seis
casos foram divulgados após o jornal "Washington
Post" divulgar um vídeo em que Trump faz comentários sobre como apalpa
mulheres sem seu consentimento. Na gravação, o candidato usa termos vulgares
para se referir a mulheres.
O
caso gerou mais críticas e retiradas de apoio ao candidato, inclusive por parte
de republicanos, e fez com que grandes doadores de sua campanha pedissem o
dinheiro de volta. Trump nega todas as alegações.
MURO NO MÉXICO
Sua
postura em relação à imigração também repercutiu em todo o mundo. Ele defendeu
a construção de um muro na fronteira com o México para impedir a entrada de
imigrantes nos EUA. No dia em que apresentou sua candidatura, ele disse:
“Quando o México manda gente para os EUA,
eles não estão mandando os melhores... eles estão mandando pessoas que têm
muitos problemas e estão trazendo esses problemas para nós. Eles estão trazendo
drogas, estão trazendo crime, estão trazendo estupradores, e, alguns, presumo,
são boas pessoas”.
Trump
prometeu ainda banir os muçulmanos e expulsar todos os imigrantes ilegais que
já estão nos EUA, cerca de 11 milhões de pessoas, afirmando que aqueles que
comprovarem ser “boas pessoas” serão
aceitos de volta de forma legal.
Outras
propostas feitas pelo republicano foram o fim do Obamacare, o aumento dos
impostos de empresas que deixarem o país e a ampliação dos poderes dos donos de
armas que querem se defender.
IMPOSTOS
Os
impostos de Trump se tornaram um grande tema da campanha depois que o jornal
"New York Times" divulgou
parte do seu imposto de renda de 1995 e estimou que Trump provavelmente não
pagou impostos por vários anos. O empresário celebridade do setor imobiliário,
que é o primeiro candidato em décadas a se recusar a divulgar o seu imposto de
renda, não negou a reportagem. Mais tarde, ele disse que tinha “usado brilhantemente” o sistema fiscal
norte-americano a seu favor.
Antes
disso, durante o primeiro debate presidencial com Hillary, ao responder às
acusações dela sobre não pagar impostos federais, o empresário disse que isso o
faria “esperto”.
Suas
declarações e propostas provocaram um mal-estar entre políticos republicanos e
um racha no Partido.
Apesar
de afirmar ter US$ 10 bilhões, sua fortuna foi estimada em US$ 4,5 bilhões pela
Forbes.
BAIXO NÍVEL DA CAMPANHA
Durante
a campanha e nos três debates presidenciais – um deles bateu o recorde da
audiência –, os dois protagonizaram bate-bocas e trocaram comentários ácidos,
que contribuíram para a fama do clima de baixo nível.
Trump
chamou Hillary de “nasty woman"
(mulher repugnante ou mulher nojenta) e disse que se fosse eleito prenderia a
democrata, que acusou de ser mentirosa e corrupta. Em um comício, sugeriu que a
candidata se drogava antes dos debates. Ao ser questionado em um debate se iria
aceitar o resultado da eleição, independente de qual seja, Trump disse iria
"olhar isso na hora",
reafirmando sua teoria de que há fraudes no processo eleitoral americano e
acusando a imprensa de desonestidade. Depois, durante um comício, disse que
reconheceria o resultado “se ganhar”.
Nos EUA, é de praxe que o candidato derrotado reconheça a derrota.
Hillary
chamou os eleitores de Trump de “deploráveis”,
e depois disse que se arrependeu. Em outra ocasião disse que o republicano
chora “lágrimas de crocodilo”. Também
acusou Trump de ser marionete de Vladimir
Putin e provocou o republicano ao dizer que ele é tão saudável quanto o
cavalo que o presidente russo monta.


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